GNL, metanol, biodiesel e muito mais: quais as melhores soluções de propulsão alternativas?

Assim como em muitos outros setores, a sustentabilidade se tornou parte integrante do setor de transporte marítimo. As empresas de transporte marítimo têm trabalhado ativamente na busca de soluções de propulsão alternativas para suas embarcações, como GNL, metanol ou biodiesel. Embora ainda não se tenha chegado a uma solução definitiva, algumas empresas de transporte marítimo já têm adotado esses métodos de propulsão mais sustentáveis. Mas quais soluções de propulsão alternativas já existem e o que podemos esperar no futuro?

Sustainability Innovation
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De acordo com a Agência Internacional de Energia, o transporte marítimo global foi responsável pela emissão de 706 milhões de toneladas de CO2 em 2022. Portanto, é de se esperar que a aceleração da descarbonização seja um tópico amplamente discutido dentro do setor de transporte marítimo atualmente. Que as emissões da cadeia logística são responsáveis​por uma parcela significativa das emissões mundiais é um fato inegável. Por essa razão, algumas transportadoras já têm se mostrado dispostas a pagar um preço mais alto por métodos sustentáveis de transporte e por uma infraestrutura mais sustentável. Uma solução seria o estabelecimento de acordos mais favoráveis​ao clima entre transportadoras e outras partes envolvidas na provisão de uma cadeia logística contínua com o objetivo de melhorar o fator custo – uma vez que os preços dos combustíveis sustentáveis, por exemplo, continuam altos devido à sua disponibilidade limitada.

Ship Green – nossa solução para a prevenção ativa de emissões

Para começar a enfrentar esse desafio, a Hapag-Lloyd lançou a solução Ship Green. Essa solução nos coloca um passo adiante em direção a operações mais favoráveis ao clima. O serviço, disponível no Online Business Suite, oferece uma maneira mais sustentável​de enviar mercadorias: evitando emissões. Você pode escolher entre três opções diferentes e, assim, evitar 25, 50 ou 100% das emissões causadas no trajeto marítimo de seu embarque.

Embora o Ship Green utilize biodiesel feito a partir de matéria-prima proveniente de resíduos, que apresenta uma pegada de carbono menor do que os combustíveis fósseis tradicionais, existem outras soluções de propulsão alternativas: 

GNL – Gás Natural Liquefeito 

GNL é a sigla para Gás Natural Liquefeito. Os navios movidos a GNL, em comparação com as embarcações convencionais que utilizam diesel, podem reduzir significativamente a produção de dióxido de enxofre e diminuir as emissões de óxido de nitrogênio e de CO2, o que torna o GNL uma alternativa atraente no setor. Quando o gás natural é comprimido em vez de liquefeito, ele é chamado de Gás Natural Comprimido ou GNC. Graças à compressão, esse tipo de gás é mais adequado para navios menores do que o GNL, que exige um local de armazenamento maior. 

Embarcações movidas a hidrogênio 

Alguns fabricantes de automóveis já têm usado o hidrogênio como uma solução livre de emissões de carbono para os motores de seus veículos e uma alternativa aos carros elétricos. As células de combustível movidas a hidrogênio também podem ser uma opção para as transportadoras. O hidrogênio limpo pode ser facilmente produzido por meio da eletrólise da água. O curioso é que as emissões desse tipo de motor são água potável. 

Um dos primeiros navios movidos a hidrogênio é o Suiso Frontier japonês (“suiso” significa hidrogênio em japonês – o que justifica o nome), construído pela Kawasaki Heavy Industries do Japão. A embarcação foi colocada em operação em 2020 e completou sua primeira viagem internacional para a Austrália em 2022. A meta para 2030 é alcançar uma rota comercial viável com mais embarcações movidas a hidrogênio.  

Metanol

Os navios movidos a metanol também são considerados uma alternativa atraente para embarcações movidas a biodiesel. O primero navio-tanque com motor dual-fuel movido a metanol foi construído em 2016. Embora o metanol queimado em motor produza algumas emissões diretas de dióxido de carbono e outros poluentes, a quantidade é visivelmente menor do que um motor que utiliza biodiesel. Em relação à aplicação de metanol em motores de navios, a produção desse combustível é um aspecto importante. O tipo de metanol a ser produzido está intimamente ligado à fonte que o origina. Assim, o metanol cinza e marrom são feitos a partir de matérias-primas de combustíveis fósseis. O metanol azul, mais neutro em carbono, é produzido usando carbono capturado, eletricidade renovável ou hidrogênio verde em vez de gás natural.     

Amônia 

Em novembro de 2023, zarpou o primeiro navio porta-contêineres do mundo movido a amônia limpa: o the Yara Eyde. A embarcação deve navegar livre de emissões entre a Noruega e a Alemanha, com operações entre Oslo, Porsgrunn, Hamburgo e Bremerhaven. Ao contrário do biodiesel, a amônia em sua forma molecular não contém um átomo de carbono. Portanto, não emite CO2 durante a combustão. Ao mesmo tempo, a amônia apresenta uma densidade de energia semelhante ao metanol, mas é mais favorável do que o hidrogênio, porque exige menos resfriamento. A amônia pode ser sintetizada a partir do hidrogênio, o que requer menos energia do que a síntese de metanol ou eletrometano. Por isso, a produção de amônia é mais barata do que as outras opções de combustível de emissão zero já mencionadas.     

Embarcações elétricas

O primeiro navio elétrico totalmente autônomo também é da Yara e foi para o mar em novembro de 2021. Seu nome é Yara Birkeland. Com um comprimento de cerca de 80 metros, o navio pode economizar 40.000 viagens de caminhão, o que equivale a uma redução de 1.000 toneladas de emissões de CO2 por ano. O navio foi criado para transportar fertilizantes de porto a porto. Mas o Yara Birkeland não é o único navio elétrico que fez sua estreia nos últimos anos. Em agosto de 2023, o maior navio totalmente elétrico foi ao mar na China. De acordo com a empresa de navegação Cosco, proprietária do navio, a embarcação deve economizar 32 toneladas de emissões de CO2 por dia. Além disso, ao que tudo indica, ele consegue navegar 1.000 quilômetros com seus 36 contêineres de baterias carregadas. Essas baterias ocupam 5% do espaço da embarcação. O navio é, portanto, capaz de transportar até 700 contêineres de carga. 

Embarcações eólicas 

De volta às origens: Os navios cargueiros são movidos a vento há séculos – e devem continuar no futuro. Em dezembro de 2021, a Airseas, subsidiária da Airbus, começou os testes em um navio porta-contêineres parcialmente movido a energia eólica. Para isso, os engenheiros desenvolveram uma pipa suspensa a aproximadamente 200 metros de altura que pode ser conectada à embarcação em situações de ventos fortes o suficiente para puxar a embarcação para a frente. O navio não é, portanto, totalmente impulsionado por energia eólica; apenas quando há uma quantidade suficiente de vento. A nova abordagem visa reduzir o consumo de combustível em cerca de 20%. Além disso, o mecanismo de condução da embarcação deve ser quase totalmente automático, o que a tornará praticamente autônoma.

Combinação de diferentes soluções de propulsão 

Com o progresso das tecnologias, algumas embarcações também estão sendo projetadas para usar diferentes soluções de propulsão alternativas. São exemplos os sistemas híbridos, que combinam motores elétricos, diesel e motores e baterias para otimizar o uso de energia. Essas várias formas de combinação despontam como uma solução para alguns dos desafios enfrentados pelo setor. De fato, a maioria das embarcações que navegam atualmente pelos mares já têm usado soluções híbridas com motores a diesel semielétricos, visando economizar diesel e evitar emissões. 

Os prós e contras das soluções de propulsão alternativas 

Por enquanto, a desvantagem predominante das soluções de propulsão alternativas pode ser atribuída aos custos, como já mencionado. Contudo, à medida que o aquecimento global avança e, principalmente, as grandes empresas são solicitadas a emitir relatórios apontando sua classificação ESG – a sustentabilidade é parte importante do ESG – as empresas de transporte marítimo se vêem na obrigação de fazer cálculos para descobrir o que podem investir em soluções de propulsão alternativas. Conforme explicado, as vantagens de muitas dessas soluções de propulsão alternativas são claras – algumas diminuem as emissões de dióxido de carbono, outras não produzem absolutamente nenhuma emissão. 

Muitas oportunidades no horizonte 

Como podemos perceber ao olhar a lista de soluções de propulsão alternativas, são muitas as possibilidades que visam reduzir as emissões no setor de transporte marítimo. Algumas podem até reduzir custos a longo prazo. Enquanto algumas delas se encontram na fase de testes, outras já foram implementadas com sucesso e se tornaram parte importante da cadeia logística. Não é possível saber qual dessas soluções de propulsão alternativas desempenhará um papel relevante no futuro do transporte marítimo de cargas. A Hapag-Lloyd, no entanto, decidiu se posicionar quanto ao tópico de redução das emissões de CO2. E para atingir as metas, já lançou soluções inovadoras como o Ship Green e planeja testar outras soluções de propulsão alternativas, como embarcações à vela.

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